Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos JurídicosCONSULTA PÚBLICA
ANTEPROJETO DE DECRETOO Chefe da Casa Civil da Presidência da República, diante do elevado número de solicitações, resolve estender, até 3 de dezembro de 1999, o prazo objeto da Consulta Pública do anteprojeto de decreto sobre procedimentos administrativos para identificação e reconhecimento das comunidades remanescentes dos quilombos e para delimitação, demarcação e titulação das áreas por elas ocupadas, elaborado de acordo com o disposto no art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.
PEDRO PARENTE
ANTEPROJETO DE DECRETO
DECRETO No , DE DE DE 1999.
Dispõe sobre procedimentos administrativos para identificação e reconhecimento das comunidades remanescentes dos quilombos e para delimitação, demarcação e titulação das áreas por elas ocupadas. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, na forma dos arts. 215 e 216, da Constituição Federal, e de acordo com o disposto no art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias,
D E C R E T A :
Art. 1o Compete à Fundação Cultural Palmares, criada na forma da Lei no 7.668, de 22 de agosto de 1988, vinculada ao Ministério da Cultura, a identificação e o reconhecimento das comunidades remanescentes dos quilombos, bem como a adoção de providências para a delimitação, a demarcação e a titulação das terras por elas ocupadas, sem prejuízo da competência concorrente dos Estados e do Distrito Federal.
§ 1o Para efeito do disposto neste Decreto, a comunidade remanescente dos quilombos deve estar ocupando suas terras pelo menos desde 13 de maio de 1888, data da abolição da escravidão.
§ 2o O procedimento administrativo de reconhecimento da comunidade e de titulação de propriedade será iniciado por requerimento dos interessados ou, de ofício, pela Fundação Cultural Palmares.
§ 3o O requerimento dos interessados deverá ser encaminhado à Fundação Cultural Palmares, que determinará a abertura do procedimento administrativo respectivo.
Art. 2o O procedimento administrativo de que trata o artigo anterior compreenderá a elaboração de relatório técnico e de parecer conclusivo pela Fundação Cultural Palmares, a outorga do título de propriedade e seu respectivo registro.
§ 1o O relatório técnico de que trata este artigo conterá:
I a identificação dos aspectos étnico, histórico, cultural e sócio-econômico do grupo;
II a delimitação do território ocupado;
III o levantamento dos títulos e registros incidentes sobre as terras ocupadas e a respectiva cadeia dominial, perante o Registro de Imóveis competente;
IV a medição e a demarcação topográfica das terras identificadas; e
V o parecer jurídico.
§ 2o As ações mencionadas nos incisos II, III e IV do parágrafo anterior serão executadas pela Fundação Cultural Palmares, mediante convênio firmado com o Ministério da Defesa, a Secretaria de Patrimônio da União do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA e outros órgãos ou entidades da Administração Pública, de acordo com a natureza das atividades.
§ 3o Quando envolver terra de propriedade da União, cuja representação compete à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, a titulação ocorrerá de acordo com a legislação pertinente.
§ 4o A Fundação Cultural Palmares remeterá cópia do relatório técnico, para manifestação no prazo de trinta dias, aos seguintes órgãos:
I Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional IPHAN;
II Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA;
III Secretaria do Patrimônio da União;
IV Fundação Nacional do Índio FUNAI;
V Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA.
§ 5o Havendo dúvida fundada quanto à origem ou à seqüência da cadeia dominial em que se baseia a ocupação pelos remanescentes das comunidades de quilombos, será consultada a Advocacia-Geral da União.
§ 6o Após a manifestação das instituições referidas no § 4o deste artigo, a Fundação Cultural Palmares, no prazo de noventa dias, emitirá parecer conclusivo, que será publicado no Diário Oficial da União, em forma de extrato, com o respectivo memorial descritivo de delimitação do território ocupado.
§7o Não havendo impugnação, decorridos trinta dias contados da publicação do parecer conclusivo de que trata o parágrafo anterior, a ocupação será reconhecida e o título de propriedade, outorgado pela Fundação Cultural Palmares, que o registrará, às suas expensas:
I - no Cartório de Registro de Imóvel competente;
II em livro a ser instituído no âmbito do IPHAN, caracterizando as comunidades remanescentes de quilombos como patrimônio cultural brasileiro.
§ 8o Os documentos e sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos, assim reconhecidos pelo IPHAN, submeter-se-ão às disposições do Decreto-Lei no 25, de 30 de novembro de 1937.
§ 9o Havendo impugnação de terceiros, esta será apreciada pela Fundação Cultural Palmares no prazo de trinta dias, cabendo recurso ao Ministério da Cultura, no prazo de quinze dias.
§ 10. A participação em todas as etapas do procedimento administrativo é garantida à comunidade remanescente de quilombos interessada.
Art. 3o Os atos de titulação de áreas ocupadas pelos remanescentes das comunidades dos quilombos, expedidos por órgãos da Administração Federal anteriormente à publicação deste Decreto, deverão ser encaminhados à Fundação Cultural Palmares, no prazo de sessenta dias contados da data de publicação deste Decreto, para efeito de registro conforme estabelecido nos §§ 7o e 8o do artigo anterior.
Art. 4o Fica vedada a criação de novas áreas de conservação ambiental, sem prévio levantamento sobre sua incidência em áreas ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos, bem como sem a realização de estudos que visem as compatibilizações necessárias.
Art. 5o Os procedimentos de identificação e reconhecimento das comunidades remanescentes dos quilombos, assim como os atos de delimitação, demarcação e titulação de propriedade, objeto deste Decreto, deverão estar concluídos até 31 de outubro de 2001.
§ 1o Após a data referida no caput deste artigo, qualquer nova solicitação somente poderá ser objeto de titulação mediante autorização em lei federal.
§ 2o Todas as despesas relacionadas com o cumprimento deste Decreto correrão à conta dos recursos orçamentários da Fundação Cultural Palmares.
Art. 6o A Fundação Cultural Palmares poderá estabelecer convênios para cumprimento do disposto neste Decreto.
Art. 7o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, de de 1999; 178o da Independência e 111o da República.